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Animus, Pectus

(Fonte: foolnamealexa, via ana-rosa)

(Fonte: calmofocean, via cafe-coisaetal)

(Fonte: decisivo, via cafe-coisaetal)

"Happiness (is) only real when shared"

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Eu, que me alimento de livros e respiro literatura - eu que tenho uma paixão incomensurável por palavras - não consigo encontrar uma combinação de letras minimamente capaz de fazer jus à experiência que vivi naqueles sete dias.
Não tenho palavras. Mantenho comigo uma folha em branco, que esporadicamente vou rabiscando e apagando e voltando a rabiscar.

Ainda assim, vou arriscar. Antes que a minha memória me falhe:

Fiz o caminho por uma questão de crescimento pessoal. Fui pela aventura e pela experiência. Fui porque a vida, apesar de tudo, é curta e eu não sei o dia de amanhã. Fui porque ir estava na minha lista mental de “coisas que tenho para fazer antes de morrer”. Talvez por não me ter mentalizado , à priori, que iria  ter que fazer o caminho sozinha - não era esse o plano inicialmente - fazer as primeiras etapas do caminho sem ninguém ao meu lado não foi fácil.  É possível, claro , e perfeitamente praticável. Mas não é, de todo, tão simples e tão agradável quanto eu tinha idealizado - eu que romantizei a ideia de fazer o “Caminho” durante anos vi-me a bater à porta do desespero e ficar por lá durante uns tempos. No meio de tanto silêncio, o caos barulhento dos meus pensamentos parecia sufocar-me. A estrada parecia mais longa, as horas mais demoradas e o ar mais quente, até acabar a água e ficar sem saber o que fazer à sede. Tinha fome mas saltei refeições porque comer sozinha, para mim, não sabe a nada. Entre os momentos em que agarrava o telemóvel e telefonava a alguém só para ouvir uma voz do lado de lá , e os momentos em que passava algum ciclista e trocava “bom caminho” e pouco mais… - a solidão penetrava-me nos ossos e magoava, quando não havia alma viva nem atrás nem à frente nem em lugar algum. Não havia ninguém. Faltava ali o je ne sais quois.

O caminho é lindo.  Mas de que vale isto tudo se não tivermos ninguém ao nosso lado para partilhar as sensações, as emoções e as gargalhadas?  
Alguém para dizer - “já falta pouco” “vamos parar um bocadinho” “precisas de alguma coisa?” “vamos tirar uma foto!” “Olha que paisagem tão bonita” “Eh pá, esta descida é mesmo má, isto nunca mais acaba?”
Alguém para, como dizia alguém que eu cá sei, “tirar a credencial e a garrafa de água do bolso da mochila porque sozinho é um problema”.
Por poucas palavras, alguém para ser o “suseia” no nosso “ultreia”.

E assim percebi o verdadeiro sentido de uma frase que um dia,há uns tempos atrás, li num livro:
"HAPPINESS IS ONLY REAL WHEN SHARED"

A companhia faz o caminho. Fez o meu , pelo menos. A presença de alguém na mesma estrada que nós, no mesmo passo que nós, faz toda a diferença. A estrada não parece tão longa, as horas passam mais rápido e as paisagens parecem mais bonitas. A certo ponto, até me esqueci da sede , das dores nos pés e do peso da mochila nos ombros. As lágrimas viraram gargalhadas.

Alguém disse que “o caminho é a vida”. E eu acredito.
Percebi que a essência do caminho é  mesmo essa - é encontrar quem caminhe do nosso lado e faça o caminho mais bonito, mesmo quando a estrada não é a melhor.

Aos dois Homens - e escrevo homens com letra grande porque são grandes - que me fizeram sentir da família quando eu mais precisei - Obrigada por tudo. Não sei até que ponto teria conseguido sem vocês.  

Vim com o coração mais cheio e com a alma repleta de sol.
Serei eternamente grata por isto.
Obrigada.
Obrigada.


- F.S.S

(Fonte: 500x625, via forlucky)

"When Love Arrives"